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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Você sabe Conversar?

Conversar não é uma tarefa muito fácil, exige habilidade, concentração, conhecimentos gerais e, o que eu considero mais importante, desenvolver a empatia. Não há a menor chance de uma conversa “vingar” se não houver empatia.

Na psicologia e nas neurociências contemporâneas a empatia é uma "espécie de
inteligência emocional" e pode ser dividida em dois tipos: a cognitiva - relacionada à capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e a afetiva - relacionada à habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia. Você pode ler um pouco mais sobre empatia neste link, http://pt.wikipedia.org/wiki/Empatia. Resumindo, empatia é conseguir se colocar no lugar do outro e sentir o que ele sente.

Voltando ao assunto, não falo de uma “conversa” qualquer, falo de criar um relacionamento, aproveitar a oportunidade de um “bate papo” para adquirir experiência, aprender, confortar seu interlocutor, ser confortado, ensiná-lo ou, porque não, usar a conversa para os negócios?

Não sou nenhum especialista em conversação, apenas tenho paixão por leitura, mas confesso que não gosto de ler livros motivacionais. Não sei “quem mexeu no meu queijo”, se o “vôo da águia” ensinou alguma coisa pra alguém, se realmente existe “o segredo da mente milionária” ou se sou capaz de “recuperar minha vida interior”, mesmo depois de passar pela “verdadeira motivação na empresa”. Mas estou aprendendo muito sobre motivação fazendo algo que gosto muito, conversando com as pessoas.

Por eu ser muito curioso e fascinado por conhecer pessoas, independente do nível social ou cargo que ela ocupa dentro de uma organização ou na sociedade, comecei a utilizar minhas conversas para por em prática tudo que li e pesquisei sobre o tema. Minha formação em publicidade, o trabalho em marketing e vendas, contribui bastante para o desenvolvimento desta competência.

Ainda estou engatinhando na arte de conversar e principalmente me colocar no lugar do outro sem ser muito altruísta, que é uma tendência quando tentamos desenvolver a competência de empatia, mas posso citar algumas barreiras que, se vencidas, pode transformá-lo, no mínimo, em uma pessoa querida por todos e, quem sabe, até gerar melhores negócios.

Parece meio clichê, mas não poderia deixar de citar, seja uma pessoa bem informada e eclética. Já ouviu alguém dizer: “lá vem aquele cara que só sabe falar de alimentação saudável, ou só de futebol, ou só de motor de carro, etc.”

Respeite o próximo, se você não concorda com o que o outro está falando, deixe claro que você entende a opinião dele e, posteriormente, coloque seu ponto de vista ou simplesmente mude de assunto sem fazer comentários.

Não crie expectativa, exponha seu ponto de vista e não espere que o próximo vá concordar com você.

Guarde segredos, ninguém se abre ou confia em alguém que não consegue guardar segredos.

Escute realmente o que a pessoa tem para falar, é comum em uma conversa, quando a outra parte está falando, você se voltar para seus pensamentos interiores na busca de respostas ou outros temas para expor e ficar ansioso para falar. Com isso você não presta atenção no que realmente a outra pessoa tem para dizer.

E lembre-se que, apenas saber ouvir, pode te dar o status de "bom de papo".
Uma vez fiquei mais de três horas ouvindo o desabafo de um amigo que havia terminado recentemente seu relacionamento com sua namorada (tomou um pé na bunda), praticamente não falei uma palavra sequer nestas 3 horas. No dia seguinte, fiquei sabendo através da sua mãe que ele chegou em casa melhor. Ele disse à ela que a conversa que tivemos abriu a sua mente e mostrou que existem outros caminhos melhores nestas ocasiões. Eu simplesmente não falei nada, apenas ouvi.

Um abraço a todos, até o próximo post.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quem Poupa os Maus, Ofende os Bons

Era uma sexta-feira, um dia de verão onde a temperatura estava alta, porém agradável e convidativa a uma saída para tomar uns drinques. Comecei a ligar para alguns amigos e percebi que a maioria deles não conseguiriam ir pois tinham um trabalho a terminar. O fim do mês e o famoso “fechamento” das empresas deveriam ser reportados até segunda-feira pela manhã.

A noite foi maravilhosa e os amigos que compareceram se divertiram bastante.


Na segunda-feira, mais no final do dia, recebi a ligação do Adriano* me perguntando se o Márcio* havia ido ao happy hour e, qual não foi a sua surpresa ao ouvir a minha resposta afirmativa.

A partir deste momento, ele descarregou um monte de desabafos sobre: responsabilidade, comprometimento e de que ninguém o respeitava, que ele estava muito desmotivado, etc, etc e etc. Somente para esclarecer, o Marcio e o Adriano trabalham na mesma empresa. Deixei-o falar sem interrupções e confesso que foram longos minutos. Parecia até que ele tinha feito estágio com uma vizinha que tive quando morava em São Paulo, praticamente um monólogo rsrsrs.

Após este longo período de monólogo, nos despedimos, ele agradeceu por eu tê-lo escutado e terminou a ligação dizendo “Cara, se você souber de qualquer empresa que precisar de alguém na minha área me dá um toque? Não aguento mais trabalhar aqui!”.

Já de noite, como faço todos os dias para relaxar, caminhava com meu cachorro pelas ruas do condomínio onde moro na cidade de Vinhedo, e fiquei matutando a história que ouvi de Adriano. Para resumir o que aconteceu, Adriano, cumpriu com sua obrigação profissional e para isso teve que brigar com a esposa que reclamava de que ele trabalhava muito e também deixar de passear com os filhos no domingo, entre muitas outras abdicações pessoais durante seu final de semana turbulento. Na segunda-feira pela manhã, orgulhoso por ter finalizado o trabalho no prazo, ouviu do seu chefe que o Marcio, cheio de motivos e desculpas, não havia finalizado a parte dele e, portanto, como os dois trabalhos faziam parte do mesmo report, que o prazo fora estendido até a próxima quarta-feira para que ele tivesse tempo hábil de finalizar.
Certo ou errado, este líder acabou punindo o Adriano por ter cumprido sua tarefa no tempo estipulado, simplesmente por ter dado uma segunda chance ao Marcio e aceitado suas desculpas. Sem perceber, ao não chamar a atenção de Márcio e ao não puni-lo formalmente, ele iniciou um processo de desmotivação ao restante do time que cumpriu com os deveres dentro do prazo. Agindo assim por um longo período de tempo, pode-se perder o controle da situação e criar, na empresa, um clima de impunidade e gerar muitas ilhas, onde cada grupo começa a defender suas métricas e objetivos pessoais já que não serão cobrados pelos objetivos comuns da empresa.


Uma verdadeira onda de desmotivação pode ser desencadeada, verdadeiros high potential podem ser perdidos e uma empresa pode perder mercado, simplesmente por poupar os maus.

Um grande abraço a todos

Marcel Picheli



* Os nomes verdadeiros foram preservados